9 de jun. de 2013

Vite! Vite! Vite!

Depois de uma viagem cansativa, nada como uma viagem de avião de 10 horas pra dormir e ler, né? Mas legal mesmo é correr no aeroporto e quase morrer de nervoso... 

Vamos lá, tudo começou na noite do dia 8 de junho. Depois de vários dias quentes e de sol, na noite do dia 8 caiu um temporal em Paris, principalmente na região sul. Trovoadas são raras em Paris e isso fez com que todos os voos do aeroporto de Orly, no sul, fossem desviados para o Charles de Gaulle, no norte. Sem nem imaginar isso, acordei às 4 da manhã no dia 9 de junho e às 5 já estava saindo pro aeroporto. Cheguei, fiz meu check in e para minha surpresa meu voo estava atrasado. Uma hora atrasado. O problema: eu faria conexão!

O plano era: sair às 7:40 de Paris, chegar às 9:40 em Madrid e pegar o voo para São Paulo das 11:50. Eu inicialmente teria duas horas de intervalo, agora teria uma. Algo me dizia que isso não ia dar certo. Avisei meus pais que talvez não desse certo e esperei. O que mais eu poderia fazer, não? Olhei na internet e o próximo voo da Iberia pro Brasil era só no dia seguinte e eu realmente não tava afim de passar a noite em Madrid, sem roupa extra nem nada, já que tudo estava nas minhas malas. Ai, minhas malas... Não quero nem pensar nisso... <o>

A previsão do voo era às 8:40, mas na verdade essa era a previsão da aeronave chegar em Orly, porque ela tinha sido uma das inúmeras que foi desviada para o Charles de Gaulle. O avião decolou às 9:25 com todos da Iberia me garantindo que daria tempo, pois ao chegar em Madrid iríamos passar por um filtro e chegaríamos mais rápido porque quase todos do voo eram conexões e bla bla bla. Tudo mentira. Aterrissamos às 11:10, horário que começava o check in do meu voo, e tudo que as aeromoças da Iberia falaram foi "vite, vite, vite" (tradução livre do francês pro português: "corre negada!").

Assim que pisei no aeroporto fui recepcionada por uma pessoa da Iberia que perguntou meu voo e me disse pra ir até o terminal U. Olho pra plaquinha na minha frente e vejo "Terminal U, 24 minutos". Nesse momento pensei "Eu lembro desse aeroporto, ele é gigante! Ferrou! Ferrou! Ferrou!". O desespero tomou conta de mim e eu corri. Segundo o bilhete de embarque o check in fechava 15 minutos antes do voo, ou seja, 11:35. Eram 11:10, mais 24 minutos... É, eu tinha um espaço de UM minuto.

Não corri nem 5 metros e a placa apontou para um elevador, que demorou HORAS pra chegar. Esse elevador levava a espera de um metro (sim, aquele lugar é tão gigante que tem metro DENTRO do aeroporto) que demorou ANOS para chegar. Entrei no trem, que estava andando na velocidade de uma tartaruga e demorou SÉCULOS para chegar no outro lado do aeroporto. O trem para e lá vou eu correndo. Escala rolante? Pra que? Demora... "Licença, licença". Nem lembrava que estava na Europa, num aeroporto, e que talvez o inglês fosse a melhor opção. Quatro escadas depois eu cai na imigração, onde estavam todas as pessoas do mundo, filas gigantescas.

Fui, desesperada, falar com um oficial, que foi extremamente grosso comigo e começou a gritar comigo como se eu quisesse burlar a imigração, eu queria, porque PRECISAVA, passar na frente da fila. Foram 10 minutos na fila, eu sai de lá exatamente às 11:23, o desespero era tanto que eu lembro! Na hora que chegou a minha vez, uma senhora que estava do meu lado na fila (sim, organização boa essa, ela ficou do meu lado uma hora), quis passar na minha frente. Olha, minha educação com os mais velhos se foi nessa hora. Eu mandei um palavrão e cortei a velhinha... Meu passaporte é cheio de carimbos, como vocês podem imaginar, e cada página que aquele oficial passava procurando uma livre me fazia querer chorar, ou gritar...

Bom, saindo dali, dei de cara com mais uma placa, "Terminal U, 14 minutos". Humm, 11:23 mais 14 minutos... Melhor nem fazer as contas. Subi desesperadamente mais algumas escadas e encontrei outra pessoa muito útil da Iberia. "Qual seu voo?". "Pra São Paulo". "Reto, por ali, corre!". Corre! Corre? Moça, olha meu estado, você acha que eu tava fazendo o que até agora? Vi um pessoal sendo chamado de canto e imaginei que alguns pobres coitados tinham perdido seus voos.

Corri aquele terminal gigante, corri nas esteiras, pedindo licença e xingando cada uma daquelas pessoas que tinham tempo e estavam olhando o teto ao invés de me deixar passar. No meio do caminho um funcionário do aeroporto me parou. Só falta eu levar bronca porque estou correndo. Ele, com cara de preocupado, me perguntou pra onde eu ia. Eu respondi São Paulo. Ele olhou no relógio e disse: calma, respira que dá tempo. São mais duas esteiras e você vai ver o portão a sua esquerda. Eu fiquei aliviada e corri, corri, corri.

Exatamente às 11:40 eu entrei no avião. Às 11:50 ele fechou as portas e às 12:25 decolou. Não sei se deixou alguém pra traz, mas vi muita gente de mal humor lá dentro e imaginei se eles tinham corrido como eu. Demorei pra relaxar, o almoço estava horrendo - comida de avião, né? - mas na hora que eu dormi, eu apaguei. Algumas horas depois e 100 páginas de Game of Thrones eu estava aterrissando em Guarulhos. Nunca achei que ficaria feliz por pisar em solo brasileiro...

Ufa!



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